A última vez de qualquer coisa é
sempre dolorosa,
e quase nunca percebemos como é preciosa.
Só sabemos que é a última depois de o ser,
e aí só nos resta sobreviver.
A última vez de qualquer coisa é sempre silenciosa,
como os teus lábios nos meus ou o teu abraço, que saíram de uma forma penosa.
Como é que se vive a ver todos os dias alguém que se ama,
mas, que se tem de fingir que a alma não chama?
A última vez de qualquer coisa é
sempre cruel,
e o coração luta contra tudo para se manter fiel.
A única saída é aceitar o vazio como um
velho amigo
e pedir ao corpo que seja porto de abrigo.
A última vez de qualquer coisa
és tu, sou eu, somos nós,
ou pelo menos a fingir que estamos prós.
Se eu soubesse, a última vez nunca teria existido,
muito menos a primeira, porque assim não me teria perdido,
sofrido,
sentido,
iludido,
nem, aos poucos, me autodestruído.
Carolina Figueiras

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