No outro dia, enquanto ia para casa de comboio, um senhor contou-me uma história que mexeu com o meu estado psicológico e que, certamente, não será indiferente a ninguém.
O velhote contava uma história acerca de uma menina de pouco mais de doze anos que iria casar com um homem com idade para ser seu avô. Era um casamento de luxo, um casamento de sonho que qualquer mulher desejaria ter, mas não aquele que uma menina desejasse ter. Enquanto que a princesinha ainda vivia no mundo da inocência, sonhava com princesas e príncipes, fazia desenhos e pintava-os com as cores do arco-íris. O homem tratava de negócios e vivia no mundo dos adultos, que não é compatível com uma criança simples e pura. No dia do casamento, numa casa que mais parecia um castelo, virada para um rio límpido rodeada de vales e montanhas, uma imagem saída de um conto de fadas e que poderia ser o local perfeito para a pequena fadinha brincar, aquele seria, afinal, o dia mais triste da sua vida. Ela era a única menina num quarto cheio de adultos stressados, experimentar o vestido, maquilhagem, preparativos, cabelo… enquanto tudo o que ela queria era ir lá para fora brincar com as borboletas, correr um pouco e sorrir. Na verdade, sendo a mais pequenina, era ela quem iria resolver todos os problemas financeiros da família. Se é suposto? Não, é suposto ela crescer e ter liberdade para tomar decisões e ser feliz, como qualquer outra criança.
Tudo
pronto, a música toca e ela avança com passos lentos em direção ao altar. De um lado, viu a sua mãe, com um sorriso forçado no rosto e lágrimas a escorrerem-lhe pela face. Do outro, vê o seu irmão mais novo, com um sorriso que cada vez mais
se desvanece enquanto lhe acenava em despedida. Olha para o seu pai, que mantém uma
postura rígida e distante.
À medida que o velhote contava a história, a sua voz ia-se alterando… O homem tirou-lhe o véu e toda a cerimónia decorreu sem que ela derramasse uma única lágrima. Não houve qualquer toque, exceto no momento da troca das alianças.
Mais tarde, durante as fotos e todos aqueles momentos que devem ser, supostamente, memoráveis, o homem agarra-a no ombro para que se aproximem. Aí sim, ela estremece e não conseguiu conter as lágrimas. Fotos com lágrimas de tristeza pelo simples toque? Não.
No fim, quando estava quase a chegar à estação em que deveria sair, perguntei ao senhor porque é que me contou essa história, e se era real, ao que ele me respondeu:
-Todas as histórias são reais, basta acreditares. Na verdade, há muitas
histórias como esta, e talvez muito piores. Contei-te esta porque histórias assim devem ser partilhadas e não mantidas em segredo. Já pensaste que, se
muitas pessoas souberem disto, talvez consigamos evitar o sofrimento de mais
crianças? Podes pensar que não és tu quem muda o mundo, mas basta um peso a
mais de um lado da balança para que ela se desequilibre, certo? Sê esse peso e,
de certeza, que mudamos o mundo.
…E o velho saiu porta fora e, claro, deixou-me a pensar nisso: e se
realmente conseguirmos mudar a forma de pensar das pessoas? Basta acreditar…
Carolina Figueiras

Um texto que diz muito sobre muitos países atrasados mentalmente que fazem casamentos mesmo antes da criança nascer.Partilhar este texto seria um excelente ideia para poder haver mais ação de conscientização sobre um problema mundial.
ResponderExcluirEra mesmo esse o objetivo!! <3
Excluirque triste realidade...
ResponderExcluirFazes muito bem em partilhar atravéz da tua escrita este tipo de histórias pois a sua mensagem é suuuper importante!
É mesmo o que tenho tentado fazer, fico feliz que gostem e especialmente que pensem no assunto!
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