Somos seres que se adaptam às circunstâncias
de acordo com as nossas crenças e decisões. Moldamo-nos em função de quem nos
rodeia, do que sentimos, do que pensamos e do que escolhemos ser. Habitamos em
várias versões de nós mesmos dentro da mesma pessoa, conforme a fase da vida em
que nos encontramos.
Tudo depende do estado de espírito, do caminho
das nossas vivências e experiências.
Depende de quem nos acompanha, de quem nos aconselha, de quem nos ampara, e
também de quem se ausenta. Por vezes não sei se sou mais resultado de mim ou do
impacto silencioso dos outros em mim.
Sou um paradoxo imperfeito: profunda em
excesso, rasa em fuga. Raramente indiferente, quase sempre apaixonada.
Instável, tão firme quanto frágil.
Sou como o mar: um caos sereno, força que
embala e destrói. Sou tudo e nada, sempre inteira, ainda que por vezes
quebrada. Sou tantas vezes calma, quanto inquieta. Vivo entre o vazio e a
plenitude, numa buscar contínua por mim mesma.
Vejo a vida com seriedade, eu sei, talvez
excessiva, mas não sei ser morada de outra forma. Por fora, dureza defensiva;
por dentro, vulnerabilidade exposta. Sou uma personificação de desordem
harmoniosa, de vazio pleno, de uma calma inquieta.
Talvez por isso ame tanto o som das ondas. Sou
a paz do silêncio e o ruído do vento. A estabilidade do fundo e o movimento da
superfície.
Faço coleção de paradoxos sobre mim mesma. Sou
um perfeito paradoxo no centro da minha imperfeição.

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