24 de fevereiro de 2026

Paradoxo

Somos seres que se adaptam às circunstâncias de acordo com as nossas crenças e decisões. Moldamo-nos em função de quem nos rodeia, do que sentimos, do que pensamos e do que escolhemos ser. Habitamos em várias versões de nós mesmos dentro da mesma pessoa, conforme a fase da vida em que nos encontramos.

Tudo depende do estado de espírito, do caminho das nossas vivências e experiências.
Depende de quem nos acompanha, de quem nos aconselha, de quem nos ampara, e também de quem se ausenta. Por vezes não sei se sou mais resultado de mim ou do impacto silencioso dos outros em mim.

Sou um paradoxo imperfeito: profunda em excesso, rasa em fuga. Raramente indiferente, quase sempre apaixonada. Instável, tão firme quanto frágil.

Sou como o mar: um caos sereno, força que embala e destrói. Sou tudo e nada, sempre inteira, ainda que por vezes quebrada. Sou tantas vezes calma, quanto inquieta. Vivo entre o vazio e a plenitude, numa buscar contínua por mim mesma.

Vejo a vida com seriedade, eu sei, talvez excessiva, mas não sei ser morada de outra forma. Por fora, dureza defensiva; por dentro, vulnerabilidade exposta. Sou uma personificação de desordem harmoniosa, de vazio pleno, de uma calma inquieta.

Talvez por isso ame tanto o som das ondas. Sou a paz do silêncio e o ruído do vento. A estabilidade do fundo e o movimento da superfície.

Faço coleção de paradoxos sobre mim mesma. Sou um perfeito paradoxo no centro da minha imperfeição.

 

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