9 de janeiro de 2018

Fiel amigo


Faz hoje um mês que te perdi, ou será que foste tu quem me perdeu? Um mês de angústia, tristeza e deceção. Um mês sozinho no meio da multidão.

Na verdade, até hoje não entendo o que fiz de errado. Talvez o meu único erro tenha sido amar-te tanto, ser-te fiel, teu amigo, teu companheiro… Eu nunca fui nada disso para ti, pois não? Fui apenas uma diversão… fui usado e depois maltratado. Usaste-me enquanto te fui conveniente, usaste-me para teu próprio proveito e, depois, quando percebeste que já não te servia, deitaste-me fora, como se não fosse nada. Nada… mas tu, para mim eras tudo.
Achas, o quê? Que eu não sinto? Sinto pois. Sinto, sofro e penso. E é uma dor profunda, porque eu era capaz de tudo por ti e achava que tu farias tudo por mim. Enganei-me, claro. Agora vejo que não passou de uma ilusão, uma ideia que não foi mais do que fruto da minha imaginação.

A princípio, achei que era uma brincadeira, fiz algumas asneiras, é verdade, tu “chateaste-te” e eu pedi desculpa da melhor maneira. Achei que o problema estava em mim, que eu não era como os outros que estavam à tua volta, não era tão especial, não era diferente, não era melhor. Tinha de haver uma justificação para o teu abandono, para o teu desaparecimento, para a perda da tua amizade, mas não vejo nenhuma. Porque nada justifica o abandono, nada justifica a desistência de uma amizade. Amizades reais não acabam.

Afinal qual era o meu problema? Diz-me. Onde é que eu errei? Fala, porque pelo menos deves-me uma explicação. Sim, podes falar, eu entendo. Nós éramos amigos, sabes o que isso é? Acho que não. Tenho pena... pena de ti e de mim. Ainda dizem que o irracional aqui sou eu…enganam-se, os únicos irracionais são vocês, humanos, que não pensam, que não conseguem ver, que não sentem… que são fúteis, que apenas se preocupam com banalidades, quando, na verdade amar é tudo o que precisam para ser felizes. 

O que eu vejo agora? És um simples cobarde, triste. Como retribuíste o amor que tinha por ti? Deixando-me sozinho, ao frio, com medo…imagina-te no meu lugar. És desumano, irónico, não é? Pois é… aquilo que mais devias ter é aquilo que menos tens: Humanidade. Já estás esquecido?

…Eras o meu melhor amigo… Não te sentes mal? Não tens peso na consciência? Como é que consegues ser assim? Espera… acho que já sei, porque no final das contas, o único animal aqui és tu!



Sentimentos de um cão
Se um cão falasse…


Carolina Figueiras

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