19 de novembro de 2017

Bem queria

Há semanas, este título podia significar (e significava, de facto…) um milhão de muitas outras coisas. Neste momento, é apenas mais um título; são apenas mais duas palavras vazias… duas palavras que significavam tudo e agora nada significam. Ou será que significam? Significa, sim, só não significa para a mesma pessoa, mas sim para ti.

Neste momento estou deitada na cama a tentar dormi. São precisamente 00:32 e só quero dormir, porque quando durmo não penso, não me lembro, não sofro, não doí. O mundo para e eu vivo na felicidade dos meus sonhos: voo entre nuvens de algodão doce, subo a montanha mais alta, realizo os meus maiores desejos e sou feliz, sou realmente feliz.

O problema é que dormir não resolve absolutamente nada. Tu não vais embora da minha mente. Tu não sais. Não és fácil de apagar, como quem apaga lápis de um caderno velho com uma borracha. Tu não vais embora. E porquê? Tu queres ficar? Eu quero que fiques? Bem… sim, quero.

A verdadeira pergunta é: fazes-me bem? Não sei. Mas se tu queres ficar por favor fica. Se não queres, vai embora, mas vai já, antes que eu me prenda mais do que eu já me sinto, mais do que eu já estou. Se não queres ficar, deixa-me voar e ser livre, porque eu não nasci para estar presa. 

Porque se eu fosse um animal, seria um pássaro…
Acordo de manhã e o meu primeiro pensamento és tu. E aí percebo que dormir não resolve nada. É quase uma falsa felicidade, sou eu a tentar enganar o meu cérebro, e ambos sabemos, querido coração, que é impossível enganar o cérebro.

Um dia li, passo a citar: “a primeira pessoa que pensas pela manhã ou é o motivo do teu amor e felicidade ou é o motivo da tua dor”. Que motivo serás tu? Não me consigo decidir. talvez os dois.

Como é possível conquistares-me tão rápido? Serei eu fácil de conquistar? Não diria... não mesmo. Qual é, então, o teu segredo?  O problema é que já me conheço, já sei onde isto vai dar, e não, não será bonito. Nada bonito… para mim. 

Sim, sim, já sei: tenho de ser otimista, positiva, acreditar. eu sou, sou mesmo… Sou frágil. Sou como um vidro, um copo. Sou qualquer coisa que quiseres que eu seja, mas muito frágil. Basta cair uma vez e nunca mais volta ao lugar. Nem mesmo com super cola; nunca mais será o mesmo. Por isso, se eu fosse um objeto, seria um copo: quando cai, parte-se.

Li também, no outro dia, que quando falamos com alguém, temos uma espécie de compromisso, um laço afetivo, uma questão de respeito. Tu respeitas-me? Gostas de mim? Afinal, o que sentes? O que pensas? Porque é que és tão complicado de ler? 

Para mim, tu és um livro. Eu adoro livros, já te disse não é? As pessoas de quem mais gosto são os livros mais difíceis de ler, de conquistar. Talvez porque gosto de novidades, de desafios. Mas tu és demasiado complicado.

O mundo é uma biblioteca cheia de livros. Os livros são as pessoas. Temos os livros chatos, livros inúteis, livros infantis, livros religiosos, livros estúpidos, livros bibliográficos, livros de estudo, livros de ficção… e depois existes tu: um livro fechado com cadeado. Onde está a chave? Quem a tem? Onde a encontro? Como entro?

Deixa-me entrar.  

Gosto de ti… ou será que não? Será que isto é apenas mais uma partida do meu cérebro? Será que este sentimento não é real? Sabes o que é real? Tu.

Sou uma pessoa muito afetiva, uma incurável romântica. Sou simples, amiga, simpática (bem… há dias). Enfim, mas cheia de defeitos, tenho plena noção disso. O meu maior problema será carência? Hum… pensando melhor, não. Talvez seja apaixonar-me facilmente? Estou apaixonada por ti? Não sei. Estou confusa.

Como é que se gosta de alguém num espaço tão curto de tempo? Amor à primeira vista? Qual é o teu objetivo? O que queres de mim? Tantas perguntas… e tão poucas respostas.

E tu… ei, tu aí. Tu que devias estar a ler isto, não estás, nem nunca vais estar. Porque isto vai ficar guardado para sempre no ambiente de trabalho do meu computador e nunca o vais ler.

Não sei o que sinto, mas alguma coisa é.

Por isso, decide-te.

Posso dar-te a chave do meu coração… estás disposto a guardá-la?

Carolina Figueiras

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