Hoje em dia, muitas pessoas não têm noção das repercussões que determinadas palavras podem ter na vida de quem as ouve, e é exatamente por isso que as proferem.
Todos sabemos que ser adolescente é fácil… ou pelo menos deveria ser. A vida parece um arco-íris eterno, cheio de unicórnios e gnomos com potes de ouro. No entanto, quando as coisas não correm como queremos, o mundo vira-se do avesso, e um problema aparentemente pequeno é vivido de forma intensa. Os adultos muitas vezes esquecem que esses problemas importam... e importam muito.
Para uma adolescente que sempre se sentiu invisível no meio de tanta gente, rodeada de pessoas mas sozinha, a autoestima não podia estar mais alta, certo? Depois aparece um pouco de acne, “não faz mal nenhum”, dizem, não é? Mas um bocadinho aqui, outro acolá… e, “taram”, de repente, o rosto inteiro é coberto por pequenas intrusas. Um pouco na testa, um pouco nas bochechas, nariz, pescoço… nada de grave, afinal, “isso passa”, certo?
Então, quando a jovem acreditava que a autoestima não podia subir mais, eis que rebenta a escala: olhava-se ao espelho e sentia-se linda, deslumbrante. Todos os dias tinha “amiguinhas” novas na face a quem devia cumprimentar, e, se de um dia para o outro algumas borbulhas desapareciam, surgiam quatro novas, lustrosas e persistentes.
Tratamentos?
Pílulas? Cremes? Limpezas? Para quê tanta coisa?! Tentar romper esta amizade
tão linda entre uma jovem adolescente e as suas “espinhas” e ainda por cima, na
melhor etapa da sua vida, devia ser crime, sim crime. Elas que tanto insistem e persistem em se
colonizar na vida da rapariguinha: "borbulhas venham, venham são bem-vindas."
Tudo parecia melhorar com comentários “inofensivos” do tipo:“Amiga, estou horrível hoje, já viste esta borbulha? Pareço um monstro, estou tão feia!”
E nós, borbulhentos experientes, com paciência, humildade e resiliência, analisamos a situação: a borbulha é tão pequena que só se vê com uma lupa. Engolimos em seco e pensamos: "será que estão a gozar connosco?"
Para
terminar, teremos de colocar a cereja no topo do bolo, e assim tudo ficará
perfeito neste mundo onde todos opinam, comentam e cujos comentários podem
destruir qualquer um.
É do conhecimento geral que os adolescentes gostam de
explorar tudo aquilo que não é conhecido, portanto, experimentar redes sociais
onde pessoas anónimas podem fazer perguntas ou escrever qualquer coisinha… mas
atenção, só coisinhas boazinhas, não vai provocar nenhum dano, pois não? Ah,
claro que não, então vamos lá, expor a nossa jovem ao mundo mais uma vez.
“Tens pele de pizza, e a X tem pele de bebé!”
Nós só damos valor quando perdemos algo ou sentimos na pele, literalmente. Criticamos aquilo que não compreendemos, dramatizamos o que nem é problema, porque, muitas vezes, não conseguimos nos colocar no lugar do outro.
Talvez aí esteja o verdadeiro problema. Como esta jovem, há muitas outras. Cabe-nos a nós, ser conscientes, humanos e, acima de tudo, mudar.
Carolina Figueiras

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