Era um rapazinho com pouco
mais de dez anos, que passava todos os dias, pelas sete e cinquenta, na minha
rua. Talvez fosse para a escola, ou não…a curiosidade matava!
Era baixo, magro, com um ar
sempre triste e só. Levava quase sempre a mesma indumentária: calções rotos,
uma camisola demasiado pequena para o seu tamanho e uns ténis com ar
de quem já tinham sido de vários jovens como ele.
Soube pelas vizinhas que a sua família se tinha mudado há pouco. Era de uma família pobre. Assim fica explicada a sua roupa.
Soube pelas vizinhas que a sua família se tinha mudado há pouco. Era de uma família pobre. Assim fica explicada a sua roupa.
A cada dia que passava, ele parecia mais triste e isolado, até começar a ter várias manchas negras pelo corpo. Eu continuava a vê‑lo e a admirá‑lo, sem nada dizer. Tinha pena, queria ajudá‑lo, saber o que se passava, mas perdia a coragem sempre que o via da janela.
Dias mais
tarde, soube novamente pela vizinhança que aquele rapaz que contemplava sofria
de bullying. Estava decidida a ir falar com ele na manhã seguinte, queria
ajudá-lo! Mas, ele não apareceu naquele dia. E, todos os dias durante uma
semana, esperei. Foi então que soube que a sua família se mudará.
Ainda
hoje não sou capaz de andar de comboio, consequências da ocorrência, da qual
não gosto de falar…Mas todas as manhãs vou até à janela e espero até às sete e cinquenta, imaginando aquele rapazinho a passar.
Carolina Figueiras

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