Talvez fosse uma sexta-feira,
ou não, não sei bem. Levantei-me bem cedo, às seis e meia da manhã, para estar
no metro às sete e quarenta e cinco. A minha vida vai calma e a idade já pesa. Conversa
de velho diriam vocês, juventude.
Era um rapazinho com pouco
mais de dez anos, que passava todos os dias, pelas sete e cinquenta, na minha
rua. Talvez fosse para a escola, ou não…a curiosidade matava!
Era baixo, magro, com um ar
sempre triste e só. Levava quase sempre a mesma indumentária: calções rotos,
uma camisola demasiado pequena para o seu tamanho e uns ténis com ar
de quem já tinham sido de vários jovens como ele.