No outro dia, enquanto ia para casa de comboio, um senhor contou-me uma história que mexeu com o meu estado psicológico e que, certamente, não será indiferente a ninguém.
O velhote contava uma história acerca de uma menina de pouco mais de doze anos que iria casar com um homem com idade para ser seu avô. Era um casamento de luxo, um casamento de sonho que qualquer mulher desejaria ter, mas não aquele que uma menina desejasse ter. Enquanto que a princesinha ainda vivia no mundo da inocência, sonhava com princesas e príncipes, fazia desenhos e pintava-os com as cores do arco-íris. O homem tratava de negócios e vivia no mundo dos adultos, que não é compatível com uma criança simples e pura. No dia do casamento, numa casa que mais parecia um castelo, virada para um rio límpido rodeada de vales e montanhas, uma imagem saída de um conto de fadas e que poderia ser o local perfeito para a pequena fadinha brincar, aquele seria, afinal, o dia mais triste da sua vida. Ela era a única menina num quarto cheio de adultos stressados, experimentar o vestido, maquilhagem, preparativos, cabelo… enquanto tudo o que ela queria era ir lá para fora brincar com as borboletas, correr um pouco e sorrir. Na verdade, sendo a mais pequenina, era ela quem iria resolver todos os problemas financeiros da família. Se é suposto? Não, é suposto ela crescer e ter liberdade para tomar decisões e ser feliz, como qualquer outra criança.
